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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Os olhos do seu amor

Foto: http://br.cinema.yahoo.com/filme/11288/foto/foto3_gr/apaixaodecristo


Parte de um fragmento escrito da novela

O Paladino e a Donzela, em conjunto com

A poetisa Aglaure C. Martins.


À minha amada Donzela


No seminário recluso

A quaresma foi guardada.

Maior fome, maior sede

Tua falta, minha Amada,

Que por mim tem esperado

Em paixão imaculada.


No Seminário menor

A São José, dedicado

Ouvi tão forte homilia -

Com meus irmãos, congregado;

E me vi prostrado ao chão

Confessando o meu pecado.


Minha querida Donzela

Qual será o maior pecado?

Senão este que eu ouvi,

E me deixou quebrantado

Ao ver Cristo sendo entregue

Culpado por meu pecado.


O meu irmão franciscano

Falou com todo o cuidado,

Sem conhecer nossa vida

Revelou todo o pecado;

Seguindo o texto divino

Em Pedro, eu me vi culpado.


Naqueles cravos pregados,

Com ódio e com ironia,

Vejo todos os pecados

Que eu pratico a cada dia;

Que trazem prazer à carne

E, à minha alma, a agonia.


“Eu sou Pedro, o discípulo,

E prometo o que eu não posso.

E eu o nego a cada dia,

Mas, meu pecado, lhe endosso,

E assim vou caindo mais

E mais fundo, eu me fosso.


Sou filho morto e perdido;

A ovelha desgarrada;

Sou a esposa prostituta;

A terra amaldiçoada;

Sou o réu sentenciado;

Sou a filha desvairada.


Os cravos - o meu pecado,

Em Cristo sendo encravado;

Derramam o sangue inocente

Por causa do meu agravo;

Mas no sangue do inocente

O perdão é revelado.


Os olhos em mim fixados,

São os olhos do seu amor

Que suportam solidão

Enfrentando toda dor;

Que gemendo ainda chamam

Este verme sem valor.


No meu coração é noite.

Miserável traidor.

Neguei quem sempre me amou

Sou o maior pecador.

Não mereço ser chamado

De apóstolo do Senhor.”


Com Pedro também eu choro:

- Ó meu Deus porque esse Amor?

Sou eu quem tem te negado.

Trago em meu peito o amargor.

Pois me amando te entregaste

E sofreste a minha dor.


“Voltando-se o Senhor,

Fixou os olhos em Pedro...

Então, Pedro, saindo dali,

Chorou amargamente”


Evangelho de Lucas 22.61 e 62


Moses Adam

F.V., 10.04.2009 – 16h00

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Castelo de areia


A criança inocente, junto às águas,
Brinca e ri, sem temer o torvelinho;
E, na areia do mar, traça um caminho,
Cobrindo-o com conchinhas e com tábuas;

E, de areia, constrói o seu castelo,
Protegendo-o com muros e com valas;
Sonhando que, seguro contra as vagas,
Jamais há de provar qualquer flagelo;

Mas, eis que, de repente e impiedosa
No mar, uma onda surge e se levanta,
Contra o frágil castelo e se agiganta,
A vaga qual medusa furiosa...

Um castelo de areia devastado...
Assim, o coração que é enganado.

Moses Adam
F.V. 04.04.2009