Busco, em cada traço, escrever coisas que toquem a alma....


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sexta-feira, 27 de março de 2009

O Perdão


Reflexão das folhas


“Pedro, aproximando-se, perguntou a Jesus:

Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes?

Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.”

Mateus 18.21 e 22


O ritmo compassado das mãos ia para frente e para trás. E, assim, as folhas secas, caídas no frio chão de cimento, eram varridas com a vassoura de folhas de carnaúba. Um limpar apaixonante e cansativo, para novas folhas ressequidas caírem no dia seguinte...e no seguinte...e no seguinte...e...


Num ato reflexivo, seguindo o bailado das folhas, pensei: Que relação isso com o perdão? O que aprender enquanto se executa uma função rotineira, e, para muitos, uma das mais baixas nas funções hierárquicas? Até quantas vezes terei que limpar as folhas que continuarão caindo? Até quantas, Senhor? Até sete?


As relações humanas não se diferem das folhas, estejam elas secas ou presas em seu caule. Ou, quem sabe, amarradas em forma de vassoura para ajuntar e recolher as ressequidas.

Jesus não diz que o perdão é algo fácil, ou que se esgota, pelo contrário. Se somos criados à imagem e semelhança de Deus, e, se em Jesus, o Cristo, fomos chamados para refletir a Divina Glória, então o perdão faz parte integral da nossa vida.


No relacionamento humano, não somos diferentes das mãos que seguram a vassoura. Podemos reagir negativamente e dizermos que estamos cansados de limpar, dia-a-dia, folhas e mais folhas secas, pois, no dia seguinte, outras estarão ali ocupando o mesmo lugar, precisando ser retiradas. O que acontecerá se deixarmos de varrê-las? Quanto tempo até que...?


Nas relações humanas, quantas amizades desfeitas; quantos casamentos rompidos; quantos pais que não falam mais com os seus filhos; filhos que não mais dirigem a voz aos seus pais; irmãos, primos, avós e tantos mais.... Pessoas que deixaram de limpar, primeiramente, o seu coração. Cansaram-se de limpar as folhas. Deixaram-se sucumbir pelas folhas caídas.


Deus não deixou de nos amar; de crer em nossa capacidade; de limpar as folhas secas que deixamos, muitas e muitas vezes, em nosso caminho. Num sonho encantador o profeta ouve a voz de Deus, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí. E quando todas as nossas folhas secas caíram sobre Jesus, cravando-o na cruz, a voz que ouvimos de seus lábios foi: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.


Como estão as tuas mãos? Já cansadas? Iradas pelo cair das folhas? Desiludidas? Desgastadas? Ou, apesar das folhas caírem dia após dia, estão renovadas, em Deus, pelo perdão que ele te concedeu e pelo Espírito que te renova em amor?


Perdoa! Perdoa sempre. Pois só quem perdoa de todo coração é que conheceu o amor e o perdão de Deus para consigo mesmo.


Moses Adam

Poá, Abrigo Batuíra, 01 de julho de 2008

Ampulheta da vida


Foto: http://fotos.sapo.pt/7FzO3zByumMfF9Z8SkLq


Na ampulheta a areia cai:

Tempo, tempo, tempo, tempo


Cada grão de tempo é areia

Sempre constante e sereno

Aos poucos vai escorrendo:


Tempo, vidro, grão de areia,

Vida e mundo. Vira o vidro.


Vida eterna vira vidro

No grão de areia caído

Tem o tempo se esvaído.


A vida é qual a ampulheta

No frágil vidro, o seu brilho;

Quebrando-se antes do tempo

De toda a areia vertida.


Moses Adam

F.V. – 07.11.08 – 01h00

domingo, 22 de março de 2009

Suicida


Recordou os momentos de alegria.

Raros, mas efusivos...

Em sua memória, aqueles que compartilharam os efêmeros momentos de alegria...

E o amaram.

Lembrou-se das conquistas, das perdas, sofrimentos, das erradas decisões, das buscas.

Infindas buscas...

Lembrou-se da dor cruel, da mais cruel decepção...

A Desilusão...!!!


O parar de errar; de quebrar antigas promessas.


Abriu o Livro:

“Se o teu olho te faz tropeçar...”

“Se tua mão te faz tropeçar...”


As lágrimas escorriam-lhe pelo rosto.

O soluço, o desespero esperançado.

Sobre o mudo criado, a final solução... O solidário e mudo companheiro.

O fim de uma vida de ilusão, de buscas, de sofrimentos, de...

Tomou-o em sua mão.


“Se o teu olho te faz tropeçar....”


Reverberavam as mudas palavras em seus ouvidos, em sua mente.

Não eram os seus olhos, ou as suas mãos, ou os seus pés...

Era o seu coração, a sua alma...


“Melhor é entrar cego, do que perder-se...”

“Melhor é...”


Trêmula, a mão postou-se sobre o peito.

O estampido surdo e seco quebrou o mórbido silêncio.

O rosto retesou-se por um momento,

E o corpo repousou plácido, sobre o leito.

Livre dos medos e já resgatado de suas dores,

Seguiu o seu destino.

Estaria liberto de sua eterna angústia?

Em seus lábios, um estranho sorriso de paz...


Assim pensara:

“Melhor é a certeza do inferno, à viver sempre em dúvida e sob o fantasma da rejeição.”


Moses Adam

SP, HSBC março ou abril 2007

segunda-feira, 16 de março de 2009

Um quarto

End. Foto:

http://farm1.static.flickr.com/46/179918214_7220e481c7.jpg



Amantes e namoradas

Acolheram-me no acalanto

E no íntimo de um quarto

E inteiro.


Um quarto...

Tudo o que eu queria para ser completo...

Ser Inteiro.


Um quarto de amor,

Um quarto de verdade,

Um quarto de paixão,

Um quarto de sinceridade.


Hoje vago incompleto

E em cada quarto

Não consigo Ser Inteiro.


Diferentes quartos e ainda incompleto.

Enlaçado em diferentes pernas,

Mas sem o aconchego;

Envolto em diferentes braços,

Mas sem o acalanto;


E assim vago,

De quarto em quarto...

E mais vazio.


Pois, em toda a minha vida

Desejei apenas um quarto

Para eu ser...

Inteiro.


Moses Adam

F.V., Ponto - 23.12.08

domingo, 15 de março de 2009

Ulisses e Penélope

End Foto: http://pt.wikipedia.org/wiki/Penélope

Num repente. Numa noite, brincando na comunidade

Poemas e Poesias com as poetisas Aglaure e Luzia;

Quando aquela me pediu uma poesia que falasse sobre

o amor...


Foi Ulisses guerrear

Em outros mares, outras terras.

Penélope a lhe esperar,

Noite e dia persevera.


O pai que por opção,

Interesse e posição,

Ainda preso à tradição,

De sua filha, oferta a mão.


É fiel e apaixonada -

Por seu marido é amada -

Decidiu que o esperaria.


Mas o pai é insistente,

E há tantos pretendentes,

Mais difícil, a cada dia.


Então aceitou a corte

Dos pretendentes, à mão.

Mas com uma condição,

Jogando ali sua sorte.


Uma colcha teceria,

Aos olhos deles, faria.

Mas, à noite, escondida,

Com as mãos, desfazeria.


E assim passaram-se dias.

Mas uma serva maldita,

Revelou toda a mentira.


Sendo esperta e mui ligeira,

Nunca perdera a esperança,

Outra estratégia faria.


E foi assim que propôs:

Comigo há de se casar,

A quem o arco envergar,

E certo, com ele, atirar.


E bem que todos tentaram.

Nenhum deles conseguiu.

Surge Ulisses, o mendigo.

Que o arco também brandiu.


O arco ele envergou.

Dele, uma flecha saiu.

No alvo, um duro golpe.

Dela os olhos brilharam;

Reconhecendo o amado,

O seu amor ressurgiu.


Moses Adam

F.V. 07.10.08



A Linda Borboleta


End. Foto: http://galeria.brfoto.com.br/showphoto.php?photo=691&si=no

De um casulo pequenino
Nasceu linda borboleta
Com as asas coloridas
Tão pequenas e fraquinhas
Foi fazendo piruetas.

Rodopiou por sobre a rosa
E pousou na margarida
Deu bom dia para o cravo
Que secava-se do orvalho
E saudava o novo dia.

Viu no lago a dona pata
Com os seus belos patinhos
E no pasto duas vacas,
Um cavalo, uma coruja,
Um coelho e três porquinhos.

Encontrou mais quatro amigas

Conversando num jardim
Deu boa tarde para elas,
Conheceu a centopeia
E pousou em um jasmim.

Cinco lindas borboletas
Com as asas coloridas
Do jardim se levantaram
E brincavam encantadas
Essas, cinco, frágeis vidas.

A tão linda borboleta
Vai amar... celebra a vida.
Vê seu mundo diferente
Nem tudo é belo somente
Forte e frágil, sua vida.

Mas voava sempre alegre,
Sob o céu. Anoitecia...
E essa linda borboleta
Foi de flor em flor pousando
Do mundo, se despedia.

Moses Adam
F.V., 15.03.09

sábado, 14 de março de 2009

A Emboscada


End. Foto: http://www.infonet.com.br/sysinfonet/images/secretarias/Cultural/grande-cangaco2.jpg

Uma parte de um conto desenvolvido

junto com a minha amiga e poetisa

Aglaure C. Martins


14 de dezembro de 2008,

Do ano de nosso Senhor,

Caldeirão da Santa Cruz do Deserto – Crato.


Ó Amada, eu em regresso,

A galope no Alazão.

Fui tomado em emboscada

Pelo bando de Lampião.


Já era alta a madrugada,

Da Lua, no céu, o brilho,

Quando em rápido relance

Vi ao chão, um andarilho.


Assoviei e o Alazão,

O galope arrefeceu.

Sabendo qual o comando,

A mim, ele obedeceu.


Em um salto, fui ao chão.

Junto ao homem me encontrei.

À bala estava ferido.

O seu sangue eu estanquei.


O semblante conhecido,

Depois do sangue limpado.

Era um cabra de Lampião,

Pela milícia, baleado.


Em perigo eu me encontrava,

Mas, fiz-me desentendido.

Percebi que no serrado,

Tinha mais trinta, escondido.


Assoviei e o Alazão

Saiu correndo à tropel,

Destino certo ele tinha,

Junto às portas do quartel.


Sob a cela se encontrava

As cartas da infantaria.

Se Lampião as encontrasse,

Morto, agora, eu estaria.


Coronhada na cabeça.

Fui ao chão e desmaiei.

No pescoço, a navalha.

Foi assim que eu acordei.


Vi os rostos maltratados,

Do bando de Lampião.

Se heróis ou se bandidos?

Cada um tem sua versão.


Mãos e pernas amarradas.

No cangaço não há lei.

Meu destino, já traçado.

Pensando em ti, suspirei.


Mi’a garganta estava seca,

O corpo todo doído,

No rosto, o sangue pisado;

Aos pés, um corpo caído.


Apanhei qual condenado.

Briamente, eu suportei,

Coronha, soco e navalha.

Era noite, eu desmaiei.


Pela manhã, Virgulino,

Chegou ao acampamento;

Com ele cinqüenta homens,

E um outro carregamento.


Três dias sem pão, sem água;

Oito quilos, definhei.

O meu rosto ainda em sangue.

Foi assim que eu o avistei.


Em sua mão, um punhal,

Só Deus estava comigo.

O ferro, no ombro, encravava.

Matava assim o inimigo.


No cangaço não há lei,

Mas cangaceiro tem honra.

Lampião qual um soldado.

Não aceitava desonra.


O ferro posto ao meu lado.

- Chegou mi’a hora. Pensei.

- “Diz o nome, condenado,

Só depois te matarei.”


Meu sobrenome Pereira.

Foi assim que eu lhe falei.

Depois, eu não vi mais nada.

Novamente eu desmaiei.


Na boca, a esponja molhada

Mi’a sede dessedentava.

Pensava já ser defunto,

Mas ainda, eu respirava.


Chamaram, então Virgulino,

Para saber toda história.

O sol mostrava-se a pino.

Preparei minha paródia.


Meu sobrenome é Pereira.

Manoel Leôncio Pereira,

Meu avô, de Pernambuco,

Do distrito em Gravatá -

Vila de Uruçu-Mirim,

Ele quem me deu o trabuco

Que comprou em Quipapá,

De um roceiro de Angelim,

Que diziam ser eunuco.


Meu avô assim falara:

Lampião por lá passara

Pediu pão, pediu guarida

Para o bando e sua amada.

O roceiro lhe negou

E por pão, deu formicida.

Lampião deu uma lufada.

O punhal, ele o pegou

Pensando em tirar-lhe a vida.


Lampião muito arretado

Com o tal atrevimento

“- Seu caça foice. Eu te mato.

Te faço esterco, jumento.”


A esposa desesperada

Põe-se aos pés de Lampião

Suplicando pela vida

Do seu esposo e do irmão.


Nessa hora, Lampião

Disparou em gargalhada.

Interrompeu-me a mi’a fala

Dando-me pão e coalhada.

"Agora eu te reconheço

Pelas rimas do serrado

Peço que tu me perdoes

Fiz-te quase um condenado


Teu avô me deu um burro,

Farinha, charque e leitão.

Escondeu-me da volante

Até eu voltar pro sertão.


Essa família Pereira

Tem a minha gratidão

Se Rei eu sou do Cangaço.

Estendo-lhe a minha mão.”


Logo vi, seu Virgulino.

Em tua mão, o meu destino.

Não te culpo pelo engano

Sei que tu és homem de honra

Por isso é o Rei do Cangaço

No sertão pernambucano.

Para mim não é desonra;

Se o teu engano eu desfaço

Eu assumo e sofro o dano.


“Tu és mesmo cabra macho

Neste solo do sertão

Mas com honra eu te despacho

Deste o sangue, dou-te a mão.


O meu bando vai partir.

Os teus olhos, vou vendar.

E para não nos seguir

Pés e mãos vou amarrar.”


Siga em frente Lampião.

Nas entranhas do sertão.

Amarrado ao buriti,

Eu aqui não perco a vida.

Aos meus pés, tem pão, tem água.

Serei sempre grato, a ti.

Tens o adeus, na despedida,

E a chuva logo deságua

Sobre o bando, e sobre ti.


Custou-me tempo esse laço

Mas, por fim me libertei.

O corpo todo encharcado.

No chão, prostrado, eu orei.


Junto àquele buriti

Passei toda a madrugada.

E então ao amanhecer,

Eu parti em caminhada.


Eu ainda enfraquecido,

Do pão e água provei,

Com o pensamento em Deus

Novas forças eu ganhei.


Eu rumei pro Ceará

Uma tropa eu encontrei

Na Fazenda de Maniçoba

Naquela terra eu orei.


Dos ferimentos, tratado.

Em dois dias eu parti

Atravessei o serrado

Orando sempre por ti.


Em Santa Cruz do Deserto

Fico a me recuperar

E escrevo-te essa missiva

Para não te preocupar.


Amo-te, minha Donzela.

És-me oásis no sertão.

Em teu colo, o meu descanso;

Nas carícias de tua mão.


Moses Adam

F.V. 14.12.2008

sábado, 7 de março de 2009

Epitáfio


O sol aquece a terra, que repousa à luz da lua.

A lua dos poetas, dos amantes... da ventura.

A terra sob as trevas... Ao pé da serra, a sepultura

Onde o poeta descansa, liberto da amargura

Pois amou uma donzela... O abandono... A desventura.


O sol, a terra, a serra...

O mar a sepultura.

O pó voltou ao pó;

Ao Criador, a criatura

Que viveu, sob esse céu, glórias... e desventuras.


Moses Adam

F.V., 08.03.2008

sexta-feira, 6 de março de 2009

Pérolas


A vida nos prega as suas peças e,
quando menos percebemos,
perdemos as nossas pérolas,
antes, mesmo, de termos morrido...


Três pérolas vi nascer,
Com emoção e carinho.
Cada uma com sua cor
E um diferente caminho.

A primeira, rosa e branca,
Tão quieta e arredia;
Cresceu e desabrochou
Hoje, a sua luz irradia.

A segunda é morena,
De cabelo cacheado,
Matreira como o seu pai,
Faz na bola o seu traçado.

A última, ainda é pequena,
Também chamada Floquinho;
É esperta e inteligente,
Gosta muito de um carinho.

Três pérolas, vi crescer.
Hoje não mais no meu ninho.
Três pérolas que se foram,
Cada uma por seu caminho.

Moses Adam F.V. 05.10.08 – 09h50
Dedicado às minhas filhas.

segunda-feira, 2 de março de 2009

O Lamento


Escutai esse lamento,

Eu o ouvi de um paladino,

Que prostrado sobre a terra,

Levantou-se a sol supino.


“Fez-se noite. E é o silêncio

Do leito. O lugar vazio.

Pausa... O amor é ironia.

Imagem muda, desfocada.

Da alegria vivida e dos amores

Do passado, a nostalgia.

Da união, a emboscada;

Do que era gozo, agora fel.

Fez-se a agonia.


Fez-se noite. Emudece.

No peito, o coração esmorece.

Pausa... A inaceitável demagogia.

As juras eternas são findas.

As promessas eram mentiras.

O amor foi alegoria.

As mentiras, triste verdade.

Quem há que a inquira?

Vê-se em aporia.


Fez-se noite. É madrugada.

Nesse pleito, quem é o errado?

Pausa... Indagações...

O choro. O lamento. A trama.

O engodo. O engano. O vazio.

Ambos solitários...

A absurda certeza sem sentido.

As hienas, ao longe, esperam

O último suspiro.


Foi-se a noite. É a alvorada.

Está feito. Novo, se fez o dia.

Pausa... É o canto da passarada.

No céu, o sol já brilha.

Revela-se nova estrada.

Vê ao longe, novel amada.

Do passado, a lição;

No futuro, a esperança;

O meu hoje é alegria.”


Na voz, pungente emoção.

Eu pensei: - Isso é delírio.

Sorrindo se levantou.

- Findou-se o meu martírio.


Moses Adam

F.V., 26.10.2008

domingo, 1 de março de 2009

Banimento


Há um momento quando percebemos que os amigos não são aqueles que pensávamos ser...
Os amigos estão onde menos esperamos.

(Clique na foto para ler o poema)