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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Poema do meu sertão

Foto: http://www.overmundo.com.br/banco/sertao-de-pernambuco-serrita

É flor em branco. É pé no chão.
É sol. É pranto. É o meu sertão.
É terra! É água? É contrição?
Do sertanejo, a solidão.

Rostos tão tristes. Só ilusão.
Bichos do mato, do meu sertão.
É sonho? É água? Resto de pão!
Na tumba fria, o seu colchão.

E no deserto, no areião,
Tal como o Cristo e a tentação,
Meu povo sofre a humilhação.

É cruz, são cravos... Espinhos, dor...
Um alto grito. Inumana dor...
E ao Pai entrega o que lhe restou.

Moses Adam
São Paulo, 26.01.2007
Metrô- 22h30

sábado, 16 de maio de 2009

Conversando com Deus

Foto: Moses Adam - Poá, Batuíra - maio.2009

“Mas vós orareis assim:

Pai nosso que estás nos céus...”


Pai...

Foi assim que eu aprendi a conversar contigo

E a amar-te... Meu Pai.


Já senti ódio do Senhor,

Fiz tantas coisas para te provocar,

E te neguei tantas vezes...


Eu não aceitava o absurdo da vida,

A maldade humana – diabólica.

E eu não cria no teu amor...


Não cria que eu pudesse ser amado...


Enquanto estivestes longe,

Ensinaram-me que o Senhor é juiz impiedoso

Que o Senhor não ama aos que pecam,

Que o Senhor odeia a humanidade,

Que o Senhor só tem amor aos escolhidos...

E eu... Eu peco! meu Pai.


Os santos...

Os que não pecam, o povo que se chama, teu:

Guardiões da tua Palavra.

Eram a estes que tu, somente, amavas.

Foi assim que me ensinaram, meu Pai.

E foi assim que eu cresci

Até que tu voltastes...


Os santos me abandonaram, meu Pai.

Como abandonaram tantos outros

Que eu vi sendo lançados nas sarjetas,

Nos prostíbulos, nas detenções,

Na solidão dos lares desfeitos...

E proscritos da tua casa de oração.


Os santos diziam:

- Essa multidão que não conhece a lei, é maldita.

E enquanto entoavam-te louvores,

Os feridos gemiam sem cuidado

E sem cuidado morriam esquecidos...


Gananciosos de poder,

E hipócritas, meu Pai.

Que fazem do amor moeda de troca,

E creem ser amados,

Porque são justos aos seus próprios olhos.


Hoje eu sei que os verdadeiros adoradores

Adoram-te em espírito e verdade;

Que o Senhor se assenta com a prostituta,

E não teme ser tocado pelo leproso;

Que o Senhor ama o mundo de tal maneira...

E nunca deixará de amá-lo.


Pai...

Eu poderia contar-te tantas coisas erradas

Que eu já fiz,

Tantos pecados...

Listá-los todos por nome.

Mas sei que tu os sabes...


Aprendi, meu Pai.

Aprendi que o pior pecado

É não aceitar ser por ti amado.


Diante de ti permaneço,

Sabendo que não sou merecedor do teu amor

Mas que sou por ti, incompreensivelmente amado.


E me despeço, Pai,

Como o publicano

Que proscrito e humilhado,

Estando em pé, longe,

Não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu,

Mas batia no peito, dizendo:

- Ó Deus, se propício a mim, pecador...


Se propício a mim,

Meu Pai!


Moses Adam

F.V.mq, 16.05.2009

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Qual aves de rapina...

Qual aves de rapina, os meus amigos

Mostraram-me preciosa lealdade,

Comendo em minha mesa, em falsidade,

Foram-me os mais perversos inimigos.


Mas rendo aos céus sincera gratidão

Por revelar o certo e o errado,

Embora eu sendo tido por culpado,

É deles a mais alta perdição:


Criando leis, escondem o pecado

Urdido nos egrégios, em surdina;

E comem como abutres na campina,

Dos bens que o povo a Deus tem ofertado.


Prevaricam e escondem o roubado.

E errei meu pai! Pequei!... por ter amado.


Moses Adam

F.V., 30.04.2009