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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Perdoa-nos, meu Pai!

Foto:

http://noticias.terra.com.br/mundo/fotos/0,,OI114675-EI294,00-Veja+fotos+do+terremoto+de+graus+no+Haiti.html



Perdoa-me, meu Pai,

Por reclamar do bife mal passado,

Enquanto o meu irmão morre em pele e osso,

Ao meu lado;


Perdoa-me, meu Pai,

Por reclamar da minha casa,

Enquanto o meu irmão continua dormindo na calçada;


Perdoa-me, meu Pai,

Por reclamar uma banheira de hidromassagem,

Enquanto o meu irmão sequer tem uma latrina,

Para as suas necessidades;


Perdoa-me, meu Pai,

Por reclamar dos impostos que eu pago,

Enquanto ao meu irmão é imposta a miséria, a fome,

A discriminação e o descaso – econômico-político-social;


Perdoa-me, meu Pai,

Por proclamar os bens materiais como sinal de fé,

Enquanto o meu irmão, em esperança e fé, morre na miséria;


Perdoa-me, meu Pai,

Por proclamar e defender uma “reta” doutrina

E viver de forma tão incorreta;


Perdoa-me, meu Pai,

Por fazer do teu Reino,

Não um Reino de justiça, paz e alegria no Espírito Santo,

Mas, sim, de comida, bebida e luta por poder e status eclesiástico;


Perdoa-me, meu Pai,

Por chamar-me de teu filho,

E enviar ao diabo, como filhos do diabo,

Todos os que não vivem como eu vivo;


Perdoa-me, meu Pai,

Por fechar-me dentro de quatro paredes,

E isolar-me num monte santo,

Enquanto o teu Filho viveu entre os homens,

E nos vales desse mundo;


Perdoa-me, meu Pai,

Por desejar o teu céu,

Enquanto o teu Filho fez-se homem,

E partilhou do sofrimento humano,

E foi humilhado, e morreu inocente,

E desceu ao Inferno – este inferno,

Para resgatar os que sofrem oprimidos pelo homem – o diabo.


Perdoa-me, meu Pai,

Por clamar o teu perdão,

E sequer sentir-me responsável pelo destino do meu irmão.

Ó, meu Pai!


Transforma! Transforma! Transforma

Em carne esse petrificado coração.


PERDOA-NOS, MEU PAI!


Moses Bem ADAM

Ferraz de Vasconcelos, 1906/2009

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Um misto de dor e alegria

Foto: Moses Adam
Batuíra - Poá, SP-Brasil, 2601.2009


Foi um misto de dor e alegria,
De tristeza, de mistério... e euforia.
E lágrimas rolavam...
Puras...
Suaves...
Profundas...

O corpo estendido sob a Lápide.
Olhos o olhavam:

Frio... imóvel...
Marcas de dor e sofrimentos,
De abandonos e lamentos,
De pecados e tormentos...
O eu escravo no deserto se encontrava.

Ah, vida!... havida...
O mundo mais distante...
Na alma, ávida,
O Êxtase metamorfoseante!
Já não é dor, nem alegria,
Não é morte, nem é vida...
Já não é...
E continua sendo...

O Vazio...
O Silêncio...
E o Eu mais pleno se encontrava...

O corpo estendido sob a Lápide.
E os olhos, mais distantes...

Na face, um sorriso...
Um tênue sorriso,
Leve e transparente.
Em meio às lutas e sofrimentos,
Abandonos e lamentos,
A face, um sorriso esboçava.

O corpo...
O meu corpo estendido sob a Lápide.
Os olhos... Os meu olhos!?!

Os meus olhos veem tudo diferente!
Novo céu e nova terra finalmente.
O EU Liberto!
E eu acordo realmente...

A terra é a mesma
E o céu é o de sempre.
Mas é minha alma,
Os meus olhos,
O meu Eu...
Sou Eu!

Eu, que liberto de mim mesmo,
Compreendo no madeiro, levantado,
O amor de Deus ao homem revelado
Em Cristo, que levou o meu pecado,
E morreu para que eu fosse perdoado...

Sou eu...
Eu, que liberto de mim mesmo,
Em Cristo, vê a tudo diferente.
E em meus olhos
Um sorriso de paz
Profundo, divino...

Reluzente!!!

Uma releitura do Ser em Jesus, o Cristo.
Evangelhos: Mateus 10.38, 39;
João 14.27; 17.3; 20.31;
Gálatas 6.14.

Moses Bem ADAM
Ferraz de Vasconcelos, 1508/2009