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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Patíbulo


Sonhos... desejos... loucuras...
Uma paixão impossível...
A consequência.

Quem és, ó tolo, nessa vã esperança,

A querer, sonhar, esse amor divino?

À virgem donzela, dobra-se o sino.

Ao desejo torpe, essa é a vingança:


No madeiro, a corda. A sonhar queria.

Pena de Morte. O gozo na memória.

Nesse estupor, recorda-se da glória:

Da virgem, o corpo, em laço, o prendia.


Rufam-se os tambores. Eis, é o momento:

O laço final, o corpo caído,

O golpe fatal... O entorpecimento.


Nesse réu, o sangue. Eis, o véu rompido.

Prostra-se a virgem, em cruel lamento:

- Jaz como um tolo, o Amado Pervertido.


Moses Adam

Leopoldina, HSBC

27.10.08

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O Peregrino


A beleza da vida está na sua simplicidade.
Enquanto eu andava pela praia da Boracéia, ao entardecer,
as gotas de chuva batiam em meu rosto proporcionando-me diferentes sensações, pensamentos e sentimentos:
o frio... o calor...
o corpo úmido...
os pés na areia...
o cansaço...

o desejo de vencer e de sobrepujar o cansaço...
A vitória.


A tarde desce suave

Ao horizonte, o mar

Os pés caminham na areia

Os olhos a marejar.


Nuvens perpassam o céu

As ondas a marolar

Andando, como sem rumo

O Peregrino a pensar.


A brisa toca-lhe o rosto

O som e o cheiro do mar

Conchas repousam na areia

Os homens à beira mar.


O choro, dele, mais forte

Forte, o rugido do mar

O sol que já se declina

Os passos a tropegar.


As ondas sempre constantes

As pedras, põem-se a sulcar

As dores e os sofrimentos

O Peregrino, a moldar.


Os peixes se decompõem

Sobre a areia do mar

Abutres comem os peixes

Segue-se o curso do mar.


As ondas têm um caminho

Nuvens caminham no ar

Conchas, peixes, seu destino

Nenhum deles, reclamar.


Do nascer do Igarapé

Do rio que morre no mar

Do voar da andorinha

Todos eles a louvar.


Todos cumprem seu destino

Nenhum deles, murmurar

Só o Homem, ser divino

Não se lembra de louvar.


Moses Adam,

F.V., 18.06.2008

Entardecer na praia de Boracéia – Bertioga

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Gênesis - Cordel

Eu no colo do meu avô.
Algum momento em 1966, Chácara em Ferraz de Vasconcelos

De uma brincadeira foi surgindo uma estória...
E dessa estória, a busca pelo passado... pela história real.
Partes do conto "O Paladino e a Donzela",
escrito junto com a poetisa Aglaure C. Martins (Gall)



Foi em querer descobrir

De meu avô, o legado

Que abandonei o sudeste:

Me aventurei no cerrado.

Vim, então, pra Pernambuco

Esse Estado abençoado.


Sou da família Pereira

Nesse rincão mui amado.

Em Gravatá, a semente;

Sou de Uruçum, afilhado.

Manoel Leôncio Pereira

Foi meu avô. É finado.

...

...

Vim de jegue e avião

De São Paulo a Pernambuco.

Eu tomei chá de cadeira

Por whisky, bebi suco

Eu comi feijão de corda

Fui chamado de maluco.


Na terra de Pernambuco

Tem cabra macho e letrado

Lampião, Sinhô Pereira

Fazem parte do legado

Luiz Gonzaga, co’a sanfona,

Tocou, dançando xaxado.


A buscar nobre Donzela

Que moveu o Paladino

Eu troquei a minha terra

Pelo solo nordestino

Pois está em João Pessoa

O meu norte e destino.


Moses Adam

F.V., 07.02.2008


(Aprendendo o cordel)

Meu primeiro poema, numa tentativa de cordel.