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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Os Olhos do Seu Amor

Seminário Menor de São José - Crato, CE

Foto:http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Seminariofrente.JPG



Texto retirado da novela "O Paladino e a Donzela",
escrita em parceria com a poetisa Aglaure Corrêa Martins

À minha amada Donzela


No seminário recluso
A quaresma foi guardada;
Maior fome, maior sede
Dos teus beijos, minha Amada,
Que por mim tem esperado
Em paixão imaculada.

No Seminário menor,
A São José dedicado,
Ouvi tão forte homilia
Com meus irmãos, congregado,
Que me vi lançado ao chão
Confessando o meu pecado.

Minha querida Donzela,
Qual será o maior agravo
Senão este que eu ouvi,
E me deixou quebrantado:
O Cordeiro foi entregue
E morto por meu pecado.

O meu irmão franciscano
Falou com todo o cuidado,
Sem conhecer nossa vida
Revelou todo o pecado;
Seguindo o texto divino
Em Pedro, eu me vi culpado.

Naqueles cravos pregados,
Com ódio e com ironia,
Eu vi todos os pecados
Que eu pratico a cada dia;
Que trazem prazer à carne
E, à minha alma, a agonia.

“Eu sou Pedro, o discípulo,
E prometo o que eu não posso;
E eu o nego a cada dia,
Mas, meu pecado, lhe endosso;
E assim vou caindo mais,
E mais fundo eu me fosso.

Sou filho morto e perdido;
Sou a ovelha desgarrada;
Sou a esposa prostituta;
A terra amaldiçoada;
Sou o réu sentenciado;
Sou a filha desvairada.

Os cravos - o meu pecado
Em Cristo sendo encravado -
Vertem o sangue inocente
Por causa do meu agravo;
Mas no sangue do divino
O perdão é revelado.

Os olhos, em mim fixados,
São os olhos do seu amor
Que sofrem em solidão
Suportando toda dor;
E que chamam, compassivos,
Este verme sem valor.

No meu coração é noite;
Miserável traidor;
Neguei quem sempre me amou;
Sou o maior pecador;
Não mereço ser chamado
De apóstolo do Senhor.”

Com Pedro também eu choro:
- Ó meu Deus porque esse Amor?
Sou eu quem tem te negado,
E a causa da tua dor;
Mas, me amando, te entregaste;
Mostraste-me o teu favor.

“Voltando-se o Senhor,
Fixou os olhos em Pedro...
Então, Pedro, saindo dali,
Chorou amargamente”

Evangelho de Lucas 22.61 e 62

O seu amado Paladino
Crato, 10.04.1929 do ano de nosso Senhor.

Moses Adam
Ferraz de Vasconcelos, 1004/2009 – 16h00

Poucas Palavras

Foto: Moses Adam, Iraí de Minas, maio-2009


Amar...

Mesmo ante a incompreensibilidade da plena entrega...

Amar...

E totalmente despojar-se de sociais pudores...

Amar...

Ainda que perplexo no amplexo de variantes formas...

Amar...

Como sendo a última e a primeira vez...

Amar...

Crendo em inacreditável utopia....

Amar...

E, dia após dia, renovar esse amor...

Amar...

Sem reservas, sem mentiras ou traições...

Amar...

Mesmo na fraqueza, na doença e na miséria...

Amar...

Pelo que o outro é, e não pelo que se desejaria ser...

Amar...

E, em cumplicidade, compartilhar fantasias....

Amar...

Com os olhos, olfato, tato, gustação, audição...

Amar...

Na junção dos corpos inflamados...inflamantes...

Amar...

E amar totalmente, a si e ao outro...

Amar...

E declarar sempre o mútuo amor...

Amar...

Sem culpas e sem receios...

Amar...

Tendo coragem para sofrer...

Tendo fé para acreditar...

Tendo paciência para esperar...

Tendo forças para suportar...

E ir em frente...

Pois o amor... JAMAIS ACABA!


Moses Adam

Ferraz de Vasconcelos, 0110/2007

Lamento da Pátria Mãe

Foto: Moses Adam, Poá, Batuíra, setembro-2009


Foi-se da terra as palmeiras,

Roubaram o jacarandá.

As aves que lá gorjeiam,

Levadas foram de cá.


A cinza encobre as estrelas

Nas matas dos lenhadores;

E a imbuia foi quase extinta,

Nas mãos de vis senadores.


E no silêncio da noite,

Cai um tronco sempre cá.

Foi-se da terra as palmeiras;

Roubaram o jacarandá.


É terra de corruptores;

Esses tais, também tem lá;

E no silêncio da noite,

Cai mais outro tronco cá.

Foi-se da terra as palmeiras;

Roubaram o jacarandá.


Não permita Deus que eu morra,

Desejando ir prá lá;

Pois tenho ainda esperança

Nas filhas que plantei cá.

Em amor lancei sementes,

De palma e jacarandá.


Moses Adam, 02.08.08

Ferraz de Vasconcelos

Alterado em 3010/2010

Paródia social baseada na “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias