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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Inundação - uma história de amor


Era uma vez uma ilha

Lá nos rincões do sertão

Onde os sentimentos todos

Bem antes da Criação

Moravam todos reunidos

Antes de serem partidos

Por uma naufragação.


Lá a Alegria e a Tristeza

Eram uma coisa só

Havia tanta união:

Água, fogo, vento e pó

Que em cada sentimento

Era tal o inteiramento

Qual as bandas de um jiló.


E, por fim, também o Amor

Morava naquela ilha

E todos que lá estavam

Diziam: - Que maravilha!

Até que chegou o dia

Daquela dura partilha.


- A ilha vai afundar...

Foi assim que lhes falaram

- A ilha vai afundar...

Então todos se apressaram

E havia um só pensamento

Fugir daquele tormento

E em suas barcas adentraram.


E todos os sentimentos

Nos barcos iam partindo

E onde existia uma ilha

Só água ia surgindo

E era um total rebuliço

Por causa do embarcadiço

Pois todos iam fugindo.


Mas... o Amor permaneceu

Querendo ainda ficar

Até o último momento

Antes da ilha afundar

E foi assim que ele fez

Tão grande era o seu amar


Foi quando caindo em si

Viu que estava a se afogar

E como não tinha um barco

Pôs-se bem alto a chamar

Nisso passou a Riqueza

E o Amor foi lhe falar:


- Riqueza me dê socorro

Eu estou a me afogar!

E a Riqueza respondeu:

- Como hei de te ajudar?

Em meu barco o meu tesouro

Muita prata e muito ouro

Não há para ti lugar.


Então passou a Vaidade

E o Amor foi lhe falar:

- Vaidade me dê socorro

Eu estou a me afogar!

E a Vaidade tão vaidosa

Respondeu em verborosa

- Como hei de te ajudar?


Você está todo molhado

E o meu barco é todo novo

E sujeira aqui não entra

E se aparece eu removo

Procure um outro barco

Pois nesse só eu embarco

O teu pedido eu demovo.


E o Amor viu a Tristeza

Sozinha em seu navegar

- Tristeza me dê socorro

Eu estou a me afogar!

E a Tristeza respondeu

Do seu grande coliseu:

- Sozinha eu quero ficar.


Nisso passou a Alegria

Tão alegre em seu cantar

Tanto barulho fazia

Nada podia escutar

E nem sequer percebeu

Por causa do jubileu

O Amor a lhe chamar


E embora tão persistente

Incansável é o amar

A ilha toda submersa

O Amor se pôs a chorar

Foi quando naquele instante

Uma voz tão retumbante

Ao Amor, pôs-se a chamar


Era uma voz muito velha

Daquele que o socorreu

E por estar tão feliz

O Amor até se esqueceu

De lhe perguntar o nome

E nem mesmo o seu cognome

O Amor sequer conheceu.


Ao chegar do outro lado

Da margem, ele perguntou:

- Amiga Sabedoria

Diga-me, quem me salvou?

E sem nenhum contratempo

Ao Amor, ela falou:


- Quem te salvou foi o Tempo!

Disse e sorriu para o Amor

- Por que só o Tempo me trouxe?

Na voz, um grande dulçor

- Porque só o Tempo é capaz

Ajuda e é eficaz

Pra entender tão grande Amor.


Releitura de uma pequenina história

Retirada do programa Sathya Sai Educare –

Educando com valores Humanos, pg. 155


Moses ADAM

Ferraz de Vasconcelos, 1509/2009




terça-feira, 18 de maio de 2010

A Cruz... [O Zé da Rosa]

Foto: Alterada da Net

A Cruz...

E a luz fria do dia... E o seu corpo entre as velas.

O silêncio do amanhecer e os pássaros dormentes.

A brisa úmida sussurrando esquecidas lembranças...

O Zé da Rosa!

O corpo sereno. O rosto sereno sob o véu...

O fino véu roçando a sua pele.


A Cruz...

E a luz fria do seu corpo entre as velas.

Castiçais, suportes, coroas... Flores! Coloridas flores.

Rosas, jasmins, margaridas, folhas, ramos e perfume...

Um difuso perfume. Triste. Alegre. Solene.

E a brisa sussurrando esquecidas lembranças...

O Zé da Rosa!

O corpo sereno. O rosto sereno...

E o fino véu roçando a sua pele.


A Cruz...

E a luz do seu corpo entre as velas.

A vida se queimando lentamente...

Cera liquefeita se consome em seu brilho trepidante.

Ah!... Cheiros, fumaça, odores.. e o silêncio.

O solene Silêncio do amanhecer. E a brisa

Esquecida das lembranças.

O Zé da Rosa!

O corpo sereno. O rosto sereno...

E o véu roçando a sua pele.


A Cruz...

E o seu corpo entre as velas.

Mentes que viajam... Tão distantes... Tão presentes...

Lábios vazios e tão cheios de histórias.

Os olhos lacrimejam o Silêncio

Da profunda escuridão do amanhecer

E a brisa das lembranças...

O Zé da Rosa!

O corpo sereno e o rosto sereno roçando a sua pele.


As cruzes...

É dia. E o seu corpo desce à vala.

Em seu leito solitário, ele é deitado.

Os pássaros revoam e o Silêncio, tudo enfim se vê quebrado.

Lágrimas sussurrantes e o coração dilacerado...

O pó cobrindo o pó. E sob o pó, o pó deixado.

As lembranças...

A Rosa sem o Zé!

Entre as coroas e flores, o rosto sereno

No incompreensível momento do alvorecer.


Moses Adam

Poá, Batuíra, ini.1105/2010-11h30

Pelo Passamento do amigo Zé, da Rosa.