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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Carta à Donzela

Foto: Moses Adam - Poá, agosto 2009

Querida e amada Donzela,

Se és do agreste, a Cinderela,

És, a mim, doce poesia.

Eu, em teu colo, sou Rei;

Tu és, nos meus braços, Rainha.

És tu, mi’a nobre honraria,

Outra igual jamais terei.

Tu, quem comigo caminha.

Nunca serás nostalgia.


Ouve, em prece, a homilia,

Da capela, em Santo Antão.

Nela, eu faço as minhas preces,

Fortaleço o coração.


Na capela, em oração,

Eu ouvi a homilia.

Um santo monge a entregou

Falando em analogia.


O Salmo quarenta e seis,

Eu ouvi com atenção.

Falava de confiança:

Deus é a nossa proteção.


No Salmo cinqüenta e um,

O relato de Davi

Encheu-me os olhos de lágrimas.

Pecado assim, eu já vi.


Na capela, o silêncio.

No coração, um alívio.

Da impactante mensagem,

O que eu lembro, eu te envio:


“Outrora, eu fui digno vaso.

Dessa glória, eu não fiz caso:

Portar a divina imagem.

E sendo vaso, fui rei.

E foi esta a suma honra:

Ser de Deus, a sua imagem;

Que, por amar, degradei.

E da fama, a desonra;

E de Deus, só a miragem.


Do meu reino, eu fui tirado.

De outros vasos, separado,

E no chão, vi-me caído.

O vaso fez-se em bagaço.

No bagaço, nenhum viço;

E esse no pó, esquecido.


Jaz na terra, e és mais nada.

E no Caos, sua morada.

Eis o Fiat Divino!


Essa é de Deus, a Palavra:

- Surge, ó pó, desse nada.

Ó Terra, se tu, formada.


Nessa terra, eu moldo o barro,

Faço dele, a minha imagem.

Nesse vaso, a mi’a estalagem.

- Eu te adoro. Esse teu jarro,

Pelo amor inesgotável,

Irrestrito e inefável.


Em mim, a eterna honraria:

Ser de Deus a moradia.

Sou filho, não sou miragem.

Seja essa, a mi’a missão:

Depor, aos teus pés, os cacos.

Por tuas mãos, venha a moagem.

Misericordiosa mão,

Faz que os filhos, mesmos fracos,

Resplandeçam tua imagem.”


Foi essa, ó minha Donzela.

A tão divina mensagem.

O meu coração vibrou:

Em mim, e em ti, essa imagem.


E com muita gratidão,

Tomei nas mãos tua missiva.

Enquanto eu lia, chorei.

Ao longe, tua comitiva.


Moses Adam

Ferraz de Vasconcelos, 2610/2008

Pirata dos Sete Mares

Foto: Moses Adam
Trilha - Praínha - Guarujá - Julho 2008


Sete homens – um só desejo!

Sete erros...

Sete amares...


Eram sete, os Navegantes

Desbravando os sete mares

Sete homens – um só desejo:

Conquistar os além-mares


Deixaram Porto Seguro

Sonhando Boa Viagem

E rumo ao desconhecido

Não temeram a voragem


O primeiro, Insaciável

Naufragou no Mar da Espanha

Pois aos outros seis queria

Contar sempre uma façanha

Que viu o sonho perder-se

Nos lábios de uma piranha


O segundo soçobrou

Ao chegar ao Mar da França

Pois as trevas e tormentas

Minaram sua esperança

E tudo o que conquistou

Não lhe veio à lembrança


O terceiro, só razão

No Mar Glacial congelou

Esqueceu-se da emoção

Do sonho que o motivou

A descobrir novas terras...

Nunca mais ele sonhou.


O quarto todo empolgado

Desfrutando as maravilhas

Esqueceu-se de cuidar-se

E não viu as armadilhas...

Naufragou nos arrecifes

Em meio ao Mar das Antilhas


Vencido o Mar Oceânico

O quinto nauta pensou

Ter visto a Ilha Formosa

Por isso ele descansou

E a sotavento o seu barco

Numa ilha naufragou


O sexto, foi mais ousado

Seis mares, atravessou

Conheceu o Mar das Índias

Belas escravas comprou

Da vida, fez um negócio

Foi assim que naufragou


Eram sete, os Navegantes

Desbravando os sete mares

Sete homens – um só desejo:

Conquistar os além-mares


Um sozinho regressou

Para a história vos contar

Conheceu dos sete, seis

Um ainda a desvendar

Pois no porto que partiu

Deixou nele o seu amar...


Moses Adam

Ferraz de Vasconcelos, 3009/2009