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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O TEU SILÊNCIO



O cavalete. O cavalo... e a tela...
E da tua presença,
As lembranças...

O pincel de marta perdendo-se na paleta
À procura de uma cor,
Sem nunca encontrá-la.

A tela, revestida de um branco pálido -
Branco Titânio,
Continua nua...

A espátula. O óleo de papoula.
As cores vivas, frias.
As cores mortas. O corpo...

O vermelho...
O vermelho vivo do teu rosto -
O cádmio vermelho coagula...

As cores terra se empalidecem...
E no entorpecente cheiro da terebintina
A última lembrança da tua face.

E o ébano...

Nas mãos,
Nas minhas mãos,
Do lápis carvão, as cinzas...

E no vazio...
No silencioso vazio da minha alma
Eu pinto o teu silêncio.

Moses Adam
FVasconcelos, 1906/2009