A beleza da vida está na sua simplicidade.
Enquanto eu andava pela praia da Boracéia, ao entardecer,
as gotas de chuva batiam em meu rosto proporcionando-me diferentes sensações, pensamentos e sentimentos:
o frio... o calor...
o corpo úmido...
os pés na areia...
o cansaço...
o desejo de vencer e de sobrepujar o cansaço...
A vitória.
A tarde desce suave
Ao horizonte, o mar
Os pés caminham na areia
Os olhos a marejar.
Nuvens perpassam o céu
As ondas a marolar
Andando, como sem rumo
O Peregrino a pensar.
A brisa toca-lhe o rosto
O som e o cheiro do mar
Conchas repousam na areia
Os homens à beira mar.
O choro, dele, mais forte
Forte, o rugido do mar
O sol que já se declina
Os passos a tropegar.
As ondas sempre constantes
As pedras, põem-se a sulcar
As dores e os sofrimentos
O Peregrino, a moldar.
Os peixes se decompõem
Sobre a areia do mar
Abutres comem os peixes
Segue-se o curso do mar.
As ondas têm um caminho
Nuvens caminham no ar
Conchas, peixes, seu destino
Nenhum deles, reclamar.
Do nascer do Igarapé
Do rio que morre no mar
Do voar da andorinha
Todos eles a louvar.
Todos cumprem seu destino
Nenhum deles, murmurar
Só o Homem, ser divino
Não se lembra de louvar.
Moses Adam,
F.V., 18.06.2008
Entardecer na praia de Boracéia – Bertioga
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