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domingo, 15 de fevereiro de 2009

O Peregrino


A beleza da vida está na sua simplicidade.
Enquanto eu andava pela praia da Boracéia, ao entardecer,
as gotas de chuva batiam em meu rosto proporcionando-me diferentes sensações, pensamentos e sentimentos:
o frio... o calor...
o corpo úmido...
os pés na areia...
o cansaço...

o desejo de vencer e de sobrepujar o cansaço...
A vitória.


A tarde desce suave

Ao horizonte, o mar

Os pés caminham na areia

Os olhos a marejar.


Nuvens perpassam o céu

As ondas a marolar

Andando, como sem rumo

O Peregrino a pensar.


A brisa toca-lhe o rosto

O som e o cheiro do mar

Conchas repousam na areia

Os homens à beira mar.


O choro, dele, mais forte

Forte, o rugido do mar

O sol que já se declina

Os passos a tropegar.


As ondas sempre constantes

As pedras, põem-se a sulcar

As dores e os sofrimentos

O Peregrino, a moldar.


Os peixes se decompõem

Sobre a areia do mar

Abutres comem os peixes

Segue-se o curso do mar.


As ondas têm um caminho

Nuvens caminham no ar

Conchas, peixes, seu destino

Nenhum deles, reclamar.


Do nascer do Igarapé

Do rio que morre no mar

Do voar da andorinha

Todos eles a louvar.


Todos cumprem seu destino

Nenhum deles, murmurar

Só o Homem, ser divino

Não se lembra de louvar.


Moses Adam,

F.V., 18.06.2008

Entardecer na praia de Boracéia – Bertioga

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