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segunda-feira, 2 de março de 2009

O Lamento


Escutai esse lamento,

Eu o ouvi de um paladino,

Que prostrado sobre a terra,

Levantou-se a sol supino.


“Fez-se noite. E é o silêncio

Do leito. O lugar vazio.

Pausa... O amor é ironia.

Imagem muda, desfocada.

Da alegria vivida e dos amores

Do passado, a nostalgia.

Da união, a emboscada;

Do que era gozo, agora fel.

Fez-se a agonia.


Fez-se noite. Emudece.

No peito, o coração esmorece.

Pausa... A inaceitável demagogia.

As juras eternas são findas.

As promessas eram mentiras.

O amor foi alegoria.

As mentiras, triste verdade.

Quem há que a inquira?

Vê-se em aporia.


Fez-se noite. É madrugada.

Nesse pleito, quem é o errado?

Pausa... Indagações...

O choro. O lamento. A trama.

O engodo. O engano. O vazio.

Ambos solitários...

A absurda certeza sem sentido.

As hienas, ao longe, esperam

O último suspiro.


Foi-se a noite. É a alvorada.

Está feito. Novo, se fez o dia.

Pausa... É o canto da passarada.

No céu, o sol já brilha.

Revela-se nova estrada.

Vê ao longe, novel amada.

Do passado, a lição;

No futuro, a esperança;

O meu hoje é alegria.”


Na voz, pungente emoção.

Eu pensei: - Isso é delírio.

Sorrindo se levantou.

- Findou-se o meu martírio.


Moses Adam

F.V., 26.10.2008

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