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domingo, 22 de março de 2009

Suicida


Recordou os momentos de alegria.

Raros, mas efusivos...

Em sua memória, aqueles que compartilharam os efêmeros momentos de alegria...

E o amaram.

Lembrou-se das conquistas, das perdas, sofrimentos, das erradas decisões, das buscas.

Infindas buscas...

Lembrou-se da dor cruel, da mais cruel decepção...

A Desilusão...!!!


O parar de errar; de quebrar antigas promessas.


Abriu o Livro:

“Se o teu olho te faz tropeçar...”

“Se tua mão te faz tropeçar...”


As lágrimas escorriam-lhe pelo rosto.

O soluço, o desespero esperançado.

Sobre o mudo criado, a final solução... O solidário e mudo companheiro.

O fim de uma vida de ilusão, de buscas, de sofrimentos, de...

Tomou-o em sua mão.


“Se o teu olho te faz tropeçar....”


Reverberavam as mudas palavras em seus ouvidos, em sua mente.

Não eram os seus olhos, ou as suas mãos, ou os seus pés...

Era o seu coração, a sua alma...


“Melhor é entrar cego, do que perder-se...”

“Melhor é...”


Trêmula, a mão postou-se sobre o peito.

O estampido surdo e seco quebrou o mórbido silêncio.

O rosto retesou-se por um momento,

E o corpo repousou plácido, sobre o leito.

Livre dos medos e já resgatado de suas dores,

Seguiu o seu destino.

Estaria liberto de sua eterna angústia?

Em seus lábios, um estranho sorriso de paz...


Assim pensara:

“Melhor é a certeza do inferno, à viver sempre em dúvida e sob o fantasma da rejeição.”


Moses Adam

SP, HSBC março ou abril 2007

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