Foto: http://www.flickr.com/photos/mozartsouto/3785139085/
Na caatinga, um irmão,
No sol nascente, a chorar:
- Aqui não há compaixão,
Aqui é só trabalhar.
No cantil, um gole d´água.
Junto ao corpo, o seu facão.
Nas mãos, a ferida sara;
Também sara o coração.
A mula vem carregada
Do sisal da plantação;
Traz, nos lombos, pela estrada
Também um naco de pão.
Em meio à dor, alegria.
Pois mais um filho nasceu.
Esperançar novo dia,
Ou sofrer ao lado teu.
Terra? Um pedaço de chão.
A força quase a minguar.
Mas, à noite no sertão,
Nova esperança, a chegar...
Na caatinga um irmão,
No sol poente a louvar:
Tenho de Deus o perdão,
E forças prá trabalhar.
Moses Adam
Ferraz de Vasconcelos, 09 de julho de 2008
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