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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

"Anoiteceu, o sino gemeu..."

Foto:

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“Anoiteceu,
O sino gemeu...”

Sobre um pai, na sargeta, embriagado
Na boca, sobre o fumo do drogado
Num bordel, entre amantes solitários
Num morro, sobre um corpo baleado.

Na igreja, um salmo de invocação...

Anoiteceu,
O sino gemeu...

Como geme a família abandonada

Como geme outra mãe desconsolada
Como gemem, nos leitos, à espera...
Como os amantes gemem num bordel.

Na igreja, uma oração se eleva ao céu...

Anoiteceu,
O sino gemeu...

E a família de um ébrio se desfaz
E um filho de overdose morre em paz
E os amantes se deixam solitários
E morre, sobre a maca, o baleado.

Na igreja, outro cântico de louvor....

Anoiteceu,
O sino gemeu...

E o mundo continua em seu pecado
E o homem continua encarcerado
E, os santos, em seu culto, alienados
E os anjos e os demônios admirados

Com um credo, o culto a Deus é encerrado...

Amanheceu e o sino gemeu
Pois nenhum santo se comprometeu
A sair pela cidade,
Pelas ruas e bordéis,
Prostíbulos e hospitais,
Prisões, morros e sargetas,
E levar uma palavra
De esperança e salvação
Àqueles por quem Cristo morreu.

Moses Adam
Expresso Leste, in. 0412/2009
Poá, Batuíra, corpo, 1512/2009
Ferraz de Vasconcelos, tr. 2312/2009

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