"Anoiteceu,
O sino gemeu...”
Sobre um pai, na sarjeta, embriagado
Nos lábios e na veia de um drogado
Num bordel entre amantes abrasados
Num morro sobre um homem baleado.
Na igreja, um salmo de invocação!
Anoiteceu,
O sino gemeu...
Como geme a família abandonada
Como geme outra mãe desconsolada
Como gemem, nos leitos, à espera...
Como os amantes gemem num bordel.
Na igreja, uma oração se eleva ao céu...
Anoiteceu,
O sino gemeu...
A família de um ébrio se desfaz
O filho de overdose morre em paz
Os amantes se deixam solitários
E morre, sobre a maca, o baleado.
E na igreja outro canto de louvor...
Anoiteceu,
O sino gemeu...
E o mundo continua em seu pecado
E o homem permanece encarcerado
E santos, no seu culto, alienados
E os anjos e os demônios admirados!
E com um credo, o culto é terminado.
Amanheceu! O sino gemeu...
E nenhum santo se comprometeu
A sair pela cidade,
Pelas ruas e bordéis,
Prostíbulos e hospitais,
Prisões, morros e sarjetas,
E levar uma palavra
De esperança e salvação
Àqueles por quem Cristo morreu.
"Busquei entre eles um homem que tapasse o muro
e se colocasse na brecha perante mim,
a favor desta terra,
para que eu não a destruísse;
mas a ninguém achei."
Ezequiel 22.30
Moses Adam
Expresso Leste, in. 0412/2009
Poá, Batuíra, corpo, 1512/2009
Ferraz de Vasconcelos, tr. 2312/2009
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