Busco, em cada traço, escrever coisas que toquem a alma....


Entre e, se desejar, deixe o seu recado...


- TODOS OS DIREITOS RESERVADOS -
- Permitido a utilização citada a fonte -

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Pingo d'água

Foto:

http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.canalverde.tv.br/blog/wp-content/uploads/2008/11/exped020.jpg&imgrefurl=http://www.canalverde.tv.br/blog/%3Fm%3D200811&usg=__phmvtpSSwM2YmAXBnRwFJqWwXes=&h=765&w=1020&sz=892&hl=pt-BR&start=1&um=1&itbs=1&tbnid=s8sJbVV1Eyn9-M:&tbnh=113&tbnw=150&prev=/images%3Fq%3Dfoto%2Brios%2Bsecos%2Bcerrado%26um%3D1%26hl%3Dpt-BR%26tbs%3Disch:1



Alma vazia

Cisterna vazia

E a réstia de carne seca...


Alma vazia

Barriga vazia

É a terra morta. É a seca.


Oh, meu Deus! Que terra é essa?

Que restou do ribeirão?

O seu leito em rachaduras

Do meu gado, o seu caixão


A capela abandonada

Nem um anjo ou sacristão

Prá trazer uma mensagem

De esperança e salvação


O cerrado agora é cinzas

Foi perdida a plantação

As sementes que sobraram

Eu guardei no meu gibão


Os meus filhos pedem água

De saliva, eu encho a mão

E aos pequenos animais

Dou um gole desse chão.


Este azul que é esperança

Ressecou minha visão

Quero o céu toldado em cinza

Quero raios e trovão...


Oh, meu Deus! Que terra é essa?

Vê, dos corpos, o estupor

Dominando as nossas almas

Com morte, secura e dor


São ossos abandonados

Espalhados pelo chão

A visão de Ezequiel

Refletida no sertão


É o teu povo de Israel

Vivendo na escravidão

Pela lei, os condenados

A viver em sequidão


Mas sou filho da promessa

Que fizeste a Abraão

Um hebreu em terra estranha

Suspirando por Sião...


A semente e a dura terra

O teu povo e o enxadão

Aguardam um pingo d'água

Trazer vida ao teu sertão.


Moses Adam

Batuíra, Poá, 1106/2010

Nenhum comentário:

Postar um comentário