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terça-feira, 16 de março de 2010

Suor, água e pão

Foto:

http://www.museudapessoa.net/blogs/media/fck/Image/Boiadeiro.jpg


Nobres irmãos e amigos,

Escutai essa canção.

Andando por uma estrada,

Topei-me com um peão.


Ele sobre o seu cavalo,

Sob o sol e no areião.

Resplandecia-lhe a face,

Em seus lábios, a canção.


“Suor mesclado de açúcar;

As cinzas sobre o sertão.

Os pés queimados da areia;

Mãos calejadas do chão.


Se no açude a água é escassa;

Carece, na mesa, o pão.

Não mingua em tão rude terra,

As forças da minha mão.


É dia. Nova labuta

Sob o sol. Eu sou peão.

Um carro de boi, à frente,

Em busca de água e de pão.


Eu tenho a minha palhoça;

Na capela, a contrição;

Das minhas filhas, saudade;

Um sonho e uma paixão.


O sol se pondo mais lindo,

No traço do ribeirão.

Se toldo, o céu - esperança,

Um sinal de plantação.


E eu sigo por longa estrada,

Nos lábios uma canção;

No alforge, a minha viola;

Por companheiro, o enxadão.”


Moses Adam

Poá, Batuíra, 0710/2008

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