Foto: http://www.museudapessoa.net/blogs/media/fck/Image/Boiadeiro.jpg
Nobres irmãos e amigos,
Escutai essa canção.
Andando por uma estrada,
Topei-me com um peão.
Ele sobre o seu cavalo,
Sob o sol e no areião.
Resplandecia-lhe a face,
Em seus lábios, a canção.
“Suor mesclado de açúcar;
As cinzas sobre o sertão.
Os pés queimados da areia;
Mãos calejadas do chão.
Se no açude a água é escassa;
Carece, na mesa, o pão.
Não mingua em tão rude terra,
As forças da minha mão.
É dia. Nova labuta
Sob o sol. Eu sou peão.
Um carro de boi, à frente,
Em busca de água e de pão.
Eu tenho a minha palhoça;
Na capela, a contrição;
Das minhas filhas, saudade;
Um sonho e uma paixão.
O sol se pondo mais lindo,
No traço do ribeirão.
Se toldo, o céu - esperança,
Um sinal de plantação.
E eu sigo por longa estrada,
Nos lábios uma canção;
No alforge, a minha viola;
Por companheiro, o enxadão.”
Moses Adam
Poá, Batuíra, 0710/2008
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